quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

EDITORIAL: As tarifas de São Luís

É de conhecimento público a dificuldade financeira que o Brasil está atravessando... Os salários tiveram reajuste próximo do zero, e muitos perderam os seus empregos. Empresas saqueadas nos últimos anos estão tentando se reerguer a qualquer custo, e, como sempre, sobra para os cidadãos comuns, como quem vos escreve e você, fiel leitor.
O cidadão de bem, que acorda cedo para trabalhar e faz contas quase que o tempo todo para tentar fechar o mês com comida para os seus filhos, sofreu ao longo de 2017, com aumentos muito acima da média, e quase que semanalmente. Foram mais de 70 aumentos de diesel, que corresponderam a mais de 30%, se comparado o valor de Dezembro de 2016 e Dezembro de 2017. Assim houve, também, com o gás (43%) e outros itens que contribuem para a manutenção do transporte.

O SportbuS é um website especializado em transporte, e voltado para a busologia, mas não pode deixar de observar a irresponsabilidade de gestores de algumas cidades que, mais preocupados com votos ou com a reação de alguns, estão literalmente falindo o sistema de transporte. Este caso também pode ser observado em São Luis – MA. 

Até 2013, a cidade de São Luis possuía uma das frotas mais velhas e sucateadas de todo o Brasil. Uma nova gestão se iniciou, e com ela, novas idéias, que visavam modernizar e mudar o quadro caótico em que as empresas de ônibus se encontravam. Foi realizada uma grande auditoria no Sistema de Transporte e nas empresas que faziam parte do mesmo, e, após o resultado que confirmou o iminente colapso do Sistema de Transporte da capital maranhense, uma política de transporte foi implantada pelo gestor da cidade, o Prefeito Edivaldo Holanda Junior. 

Desde então, aumentos anuais foram concedidos, com metas de renovação de frota, investimento em treinamento e tecnologia, que culminaram em 2016 com a licitação do Sistema Urbano de Transporte de Passageiros de São Luis. 

O sistema ludovicense, que já dava sinais de recuperação, deu um salto de qualidade, com veículos climatizados e uma renovação grande da frota, que se tornou uma das mais novas do Brasil, com idade média inferior a 5 anos. Mas, como reza um ditado popular, não existe almoço de graça! 

O último reajuste tarifário de São Luis ocorreu em 2016 (20 meses atrás), e, de lá para cá, houve 2 aumentos da mão de obra, diversos aumentos do diesel, dos veículos, das peças, de forma que seria impossível manter o sistema em funcionamento em condições normais. 

Soma-se a isso uma situação gravíssima: ao pesquisar o carregamento de passageiros na cidade de São Luis, e comparando os números com o Edital de Licitação de 2016, verificou-se uma queda de 10% de passageiros pagantes, o que reflete em uma queda de receita de 10%. É como se, além de seus custos terem aumentado, seu salário tivesse diminuído 10%. O que fazer? 

São Paulo, por exemplo, tem uma tarifa em R$ 6,50, sendo que o usuário paga R$ 4,00 e o Governo paga R$ 2,50 para cada passageiro catracado, o que resulta em um subsídio anual superior a 2 bilhões de reais. Em 2017, o valor chegou a R$ 2.900.000.000,00 (dois bilhões e novecentos milhões de reais) para o transporte. São Luis não tem este valor em caixa, como ocorre em São Paulo. Então qual a solução? 

Imperatriz, segunda maior cidade do Estado, reajustou as tarifas em 15,6%. É ruim, mas é melhor do que assistir a um colapso no Sistema de Transporte da cidade. É como evitar que uma bomba relógio, que está em contagem regressiva, exploda, e o Prefeito de Imperatriz o fez. Não porque é agradável, mas sim porque é necessário! 

O SportbuS não está defendendo empresário, mas sim o Transporte Coletivo. Se antes o discurso era que “até aceito pagar mais, desde que o transporte tenha qualidade”, o que será usado como desculpa agora, que o transporte melhorou na cidade? 

O que ocorreu na quarta passada (paralisação de 3 empresas) é só o início de uma série de paralisações que irão abranger mais e mais empresas, já que a própria prefeitura já tomou consciência (desde Agosto de 2017) da situação financeira das Empresas, e nenhuma providência tomou. 

Que sejam corrigidas as tarifas através de Fórmula prevista no Edital, e somado a este percentual os 10% que foram comprovadamente perdidos na receita do Sistema. É o justo a ser feito! Assim como a Prefeitura deve continuar cobrando das empresas melhorias constantes para o Sistema de Transporte local. 

São Luis não pode andar para trás! Esta é opinião de usuários e amantes do transporte público. 

Equipe SportbuS Maranhão

8 comentários:

  1. Acredito que pequenas atitudes podem facilitar(um pouco) os custos de operação de linhas de ônibus como a criação de linhas expressos(ônibus só pára nos terminais ou em lugares de grande aglomeração) e revisão de rotas de linhas com custo-beneficio baixo que tem percurso redundante, haja vista que muitas linhas fazem percurso desnecessário com base na necessidade geral dos usuários, Sendo aplicado essas e outras soluções viáveis que podem aparecer no decorrer do tempo, creio que o impacto no aumento das tarifas de ônibus pode ser menor.

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  2. Essa é uma boa matéria fiquei chocado sobre essa parte, mas essa crise econômica só Deus sabe quando acaba

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  3. Há 10 anos trabalho na SMTT e, por muitas vezes, vi as barbaridades dos empresários com os passageiros. Ônibus obsoletos, com 10, 15 e até de 20 anos de idade, como os da S.B e alguns da Taguatur. Se não fizeram fortuna foi por incompetência deles mesmos, pois os investimentos para a renovação da frota foram poucos.

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  4. A licitação saiu do papel não foi devido a boa vontade da SMTT, do SET, do Prefeito ou dos Vereadores, sim pela força da Promotora Lítia Cavalcante. Ela peitou todos esses que eram contra modernização do transporte na Ilha. E até agora a única diferença no serviço é que têm ônibus com ar condicionado em algumas linhas, mas os velhos problemas continuam. Sendo assim, essa licitação não modernizou nada, apenas serviu para reeleger o Prefeito e será motivo para aumentos das tarifas ano a ano.

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  5. É um assunto espinhoso. Se aumentar, é ruim pra população. Se não aumentar, é ruim pro sistema inteiro. Mas vejam: o sistema tarifário daqui é esquisito. Linhas bem curtas (ex. 311 Campus) custam R$ 2,90. Linhas muito extensas (ex. Estiva) também custam R$ 2,90. Não há racionalização nas linhas. Ex. Se eu tenho que ir daqui para o Recanto dos Vinhais, eu tenho que pegar dois ônibus. Mas se eu tenho que ir para a Areinha, só preciso de um, e a Areinha é bem mais longe que o Recanto...
    As linhas devem ser pensadas para minimizar isso. Elas devem favorecer o atendimento a um número maior de lugares, de forma que tanto mais pessoas sejam beneficiadas quanto hajam mais pagantes. isso é, mais gente subindo e descendo no trajeto. Gente que vai do ponto A para o ponto B, onde tem gente indo para o ponto C.
    Ah, vá, vocês do site são espertos, sabem do que tô falando.

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  6. Sistema de transporte modernizado é um grande engodo, a modernização foi minina, tem ônibus climatizados aí que mais parece que tem um aquecedor, várias empresas travam o ar-condicionado em temperatura ambiente, só botam pra ventilar, já vi ônibus da Viper marcando 32 graus, parece piada, idade mínima é um fato, todos os veículos estão abaixo de dez anos, porem uma porrada em péssimas condições, parecem que tem 25 anos de uso, na gigante Taguatur tem um bocado, mas um bocado de ônibus sem o apoio para os pés nas cadeiras altas, já perdi a conta dos número de vezes que andei literalmente pendurado, elevadores defeituosos, nem se conta, a padronização ridícula que nem uma empresa respeita como é o caso da Patrol e tantas outras, a bagunça no sistema parece que continua a mesma, os empresários reclamam, mas ficam colocando veículos de chassi 1721, 1724..., em linhas curtas e de baixa demanda, francamente, aumento de tarifa virou a cara desta gestão ridícula.

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